Youth Led Issues in Cape Verde com Austelino Tavares



Youth Led Issues in Cape Verde




Parte1  Com Austelino Tavares

A ideia desta atividade, Youth Led Issues in Cape Verde, tem como objetivo focar nos jovens de  todas as ilhas (Brava à Santo Antão) para partilharem com o mundo as suas  impressões e ter um espaço para analisarem as questões da juventude  enquanto Líder de comunidades e enquanto jovens com um olhar crítico.Hoje temos como convidado o jovem  Austelino Tavares  da  ilha da Brava, ele é Professor, ativista e voluntário. Já desempenhou vários cargos de liderança juvenil e de organizações a nível de comunidade e participou em várias representações a nível internacional para a causa social. Ele irá partilhar a sua opinião relativo aos problemas que as organizações juvenis enfrentam e outras questões que influenciam para o sucesso dos mesmos.


 1.  Qual a sua impressão sobre as atividades liderados pelos jovens na sua ilha?

Do meu ponto de vista, atualmente os jovens estão poucos engajados na realização de atividades para o bem da comunidade. Dos poucos que persistem em dinamizar atividades, vejo com bons olhos, pois nos dá a impressão que ainda existem pessoas com interesse em contribuir na promoção de uma melhor qualidade de vida das populações, em diferentes áreas. Quanto a estas atividades, de uma forma geral, precisam ser melhoradas, sobretudo na parte de organização e logística, uma vez que muitas vezes os detalhes são deixados de fora. De fato, é muito bom quando se realiza qualquer tipo de ação para o bem comum, porém, teria muito mais impato se estas atividades forem bem coordenadas e bem executadas.


 2.     O que está funcionando, e o que não está funcionando e porquê? O que está sendo feito.

Penso que o engajamento dos jovens está a diminuir.  Existem vários fatores que podem influenciar esta questão. Por exemplo, eu lembro quando fazia parte de um grupo de jovens voluntários, a cada dia deparava com situações de jovens que tiveram de abandonar o grupo devido aos compromissos com o trabalho ou estudo. Isto demostra que atualmente os desafios que os jovens encontram, podem dificultar-lhes na participação das atividades de um determinado grupo organizado ou não. Uma outra questão que tenho deparado é que, vejo jovens com muita dinâmica em querer contribuir para o desenvolvimento do país, através da participação em vários grupos, e muitas vezes não focam num grupo para dar a sua contribuição efetiva, mas sim fica dividido em vários grupos, o que pode criar alguma limitação em ter uma participação plena e efetiva nas atividades planeadas.


  3. O ambiente social, político e económico tem estado a favorecer estas organizações a crescer?

A dinâmica social influência as organizações no cumprimento das suas atribuições, mas não é determinante. O que determina a nossa ação é justamente a nossa motivação ou não, a nossa persistência ou não, ou seja, tudo depende do foco das próprias organizações. É certo que em Cabo Verde temos alguma dificuldade em ter financiamento para os projetos, mas também convém referir que com a nova dinâmica social o termo “financiamento” está dando lugar ao termo “parceria”. Parceria é muito mais que ter o financiamento, pois consiste em ver em quê que as organizações podem-se contribuir para ajudar um ao outro na prossecução dos seus objetivos. Penso que é importante as organizações começarem a pensar na lógica de parceria, e não meramente esperar ter o financiamento dos seus projetos. Convém também diferenciar dois tipos de organizações: aquela que é organizada e aquela que não é. Estas observações vão mais para as organizações que já dispõe de uma organização legal, que é reconhecida a nível dos estatutos que regulam as mesmas. Quando a organização é organizada e legal, é claro que tem maiores oportunidades de conseguir desenvolver parcerias com outras entidades a nível local, nacional e internacional.


      4.   Qual é o maior desafio para os jovens nas ONG´s e associações? Qual as suas perspectivas?

Um dos desafios que suponho ser de grande importância é a formação e capacitação dos jovens. Formação no sentido de preparar os jovens, no cumprimento das suas atribuições enquanto ator fundamental de uma determinada organização. Muito mais que formação, é necessário que os jovens conscientizem que são peças chaves para o desenvolvimento da sua comunidade, da sua ilha e do seu país, e por conseguinte do mundo. Quando me refiro a mundo, estou a referir a contribuição individual que cada um dá para o bem do nosso planeta. Por isso, que atualmente fala-se muito da cidadania consciente, do desenvolvimento sustentável, sendo este último como um pilar fundamental no âmbito dos ODS´s, (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável). Penso que os ODS´s devem ser uma ferramenta, um guia, para as organizações espelharem as suas intervenções, de modo a cumprir os objetivos e metas propostos. Uma outra questão que gostaria de ressaltar neste ponto, tem a ver com a parceria entre as organizações, que é fundamental para o cumprimento dos ODS´s. Muitas vezes deparamos com organizações com vontade de fazer, mas pelo fato de não reunir esforços com outras entidades, as intervenções não conseguem ter o impato que traria caso houvesse uma parceria inter-organizacionais.
Os jovens precisam investir mais na melhoria das suas capacidades linguísticas, porque existem muitas oportunidades de intercâmbios, sobretudo internacionais, que exigem o Inglês e o Francês, que podem ser grande oportunidade para os jovens se abrirem ao mundo.

English version 

Part One with Austelino Tavares

The idea behind this activity, youth-led Issues in Cape Verde, is to focus on youth from all the islands (Brava to Santo Antão) to share their impressions and have a space to analyze youth issues as a leader of communities and as young people.
Today we have as a guest, Austelino Tavares from Brava Island. He is a teacher, activist and volunteer with various positions of youth leadership in community-level organizations. He has also participated in various international representations for the social cause.
He will share his opinion about the youth led faced and other issues that influence their success.


1.  What is your impression of youth-led activities on your island?
From my point of view, only a few young people today are engaged in carrying out activities for the good of the community. These few active youth are a good example of the fact that there still are young people interested in contributing and promoting a better quality of life in their communities. As for these activities, in general, they need to be improved, especially in the organizational and logistical way, since the details are often left out. In fact, it is very good when performing any kind of action for the common good, but this action would have much more impact if these activities are well coordinated and well executed.


2.       What is working, what is not working and why? What is being done?

I think that the engagement of young people is diminishing. There are several factors that can influence this issue. For example, I remember when I was part of a group of young volunteers, every day I came across situations of young people who had to leave the group due to commitments to work or study. This shows that today the challenges that young people encounter may make it difficult for them to participate in the activities of a certain organized group. Another issue that I have encountered is that I see young people very dynamic in wanting to contribute to the country's development through participation in various groups, and often do not focus on a single group to make its effective contribution, but rather their focus is divided into several groups, which may create some limitation in having a full and effective participation in the planned activities.


 3.      Has the social, political and economic environment been in favor of these organizations to expand?

Social dynamics influence organizations in the fulfillment of their attributions, but it is not decisive. What determines our action is precisely our motivation, our persistence, that is, everything depends on the focus of the organizations themselves. It is true that in Cape Verde we have some difficulty in having finances for the projects, but it should also be mentioned that with the new social dynamics the term "financing" is giving way to the term "partnership". Partnership is much more than having the funding because it includes ways in which organizations can help each other in the pursuit of their goals. I think it's important for organizations to start thinking about the logic of partnership, not just waiting to get funding for their projects. It is also necessary to differentiate two types of organizations: the one that is organized and the one that is not. These observations go more to organizations that already have a legal organization, which is recognized in the statutes that regulate them. When the organization is organized and legal, it is clear that it has greater opportunities to be able to develop partnerships with other entities at local, national and international level.


4.    What is the biggest challenge for the youth participation in development? What are your prospects?

One of the major challenges that I assume to be very important is the training and empowerment of young people; training in order to fulfill their duties as a fundamental factor of a given organization. Much more than training, it is necessary for young people to become aware that they are the key to development of their community, island and their country, and therefore of the world. When I refer to the world, I am referring to the individual contribution that each one makes to the good of our planet. Therefore, there is a lot of talk about conscious citizenship and sustainable development, the latter being a fundamental pillar of the SDG's (Sustainable Development Goals). I think SDGs should be a tool, a guide, for organizations to mirror their interventions, in order to fulfill the proposed goals and objectives. Another issue that I would like to emphasize here is the partnership between organizations, which is fundamental for the fulfillment of SDGs. Often we come across organizations that are willing to do it, but because they do not pool efforts with other entities, interventions cannot have the impact it would have if there were an inter-organizational partnership.
Young people need to invest more in improving their language skills because there are many opportunities for exchanges, especially international ones, which require English and French, which can be a great opportunity for young people to open up to the world.

By: Helen Barbosa, 2018

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