Youth Led Issues Parte II com Gerson Pereira












Gerson Sérgio Pereira tem 27 anos, casado, tem uma filha e vive em Kelém, Achada Santo António, Praia – Santiago Licenciou-se em Ciências Biológicas pela UniCV em 2016 – área saúde Trabalhou como agente sanitário e voluntário na Delegacia de Saúde da Praia de junho de 2016 a dezembro de 2017. É Presidente da Associação Kelém em Desenvolvimento (AKD) desde 2017 e membro da Rede Mundial de Líderes Ubuntu do IPAV desde setembro 2017 Neste momento encontra-se desempregado.

1.  Qual a sua impressão sobre as actividades liderados pelos jovens na sua ilha?
Eu penso que a liderança Jovem tem ganhado força nos últimos anos em Cabo Verde, principalmente em Santiago, minha ilha, com suas atuações que têm causado impactos visíveis e significativos na nossa sociedade. Penso que a situação em que o país se encontra (desemprego, governação desajustada, problemas sociais, etc.), tem despertado uma maior sensibilidade e necessidade de mudança por parte dos jovens, que são aqueles que vivem e mais sentem na pele estas dificuldades. São essencialmente atividades de intervenção comunitária para a promoção da paz, da coesão social, inclusão, apoio á vida e habitação dignas, incentivos escolares, combate aos males sociais, capacitação para o emprego, entre outros de carácter urgente e assistenciais a famílias e indivíduos em necessidade extrema (saúde e alimentação). Podemos destacar ainda as lideranças jovens a nível partidário, religiosos, artísticos, desportivos, incentivo ao empreendedorismo, etc.

2.       O que está funcionando, e o que não está funcionando e porquê? O que está sendo feito.

Penso que estas atuações, nomeadamente nas áreas apontadas acima, têm funcionado bem, contudo de forma muito “suada” porque estas associações, movimentos e grupos liderados por jovens têm conseguido dar excelentes respostas, apesar dos poucos recursos que têm ao seu dispor. É preciso uma incrível capacidade de gestão dos limitados apoios (recursos e matéria prima) que se conseguem para tantos problemas que vemos nas nossas comunidades. Então acredito que estes sejam os pontos fortes desta nova onda de liderança jovem, principalmente aqui na Cidade da Praia: muito trabalho e determinação, sentido de responsabilidade social, boa gestão dos poucos recursos, capacidade de mobilização de apoios e parceiros e intervenções rápidas que muitas vezes as autoridades não têm conhecimento ou capacidade de dar resposta imediata. Quanto aos pontos fracos, digamos que são atuações maioritariamente de curto prazo e dependentes de terceiros. Não é possível implementar um mega projeto de impacto social duradouro, permanente ou auto sustentável sem recursos. Muitas vezes só a mão de obra e a força de vontade não são suficientes. E o nosso governo não têm sido muito “companheiro” destas organizações que muitas vezes são confiadas pelo povo mais do que o próprio governo. Mas acredito que de uma forma geral, estas organizações têm se saído muito bem apesar das dificuldades, porque realmente nada é impossível quando o desejo de mudança é maior do que as pedras que encontramos no caminho.

3. Qual é o maior desafio para os jovens nas ONG´s e associações? Qual as suas perspectivas?

É preciso muita inovação, esforço e dedicação para se conseguir alcançar ou criar os meios próprios para implementar projetos que realmente tenham impactos duradouros e de grande alcance a nível social. Penso que existe um pouco de inércia ou incapacidade destas ONG´s em conseguir fazer com que o estado cumpra com aquilo que o povo espera deles. Afinal a saúde, a habitação, educação e a alimentação são direitos básicos de cada pessoa. Muitas vezes o papel que estas organizações desempenham, e muito bem, são dar responsabilidade do próprio governo que o negligencia. Mas ainda assim estas não têm conseguido o devido valor, confiança e apoios que precisam para realizarem os seus trabalhos. Espero sinceramente um dia poder ver as associações, principalmente aquelas de intervenção comunitária, andarem lado a lado com os poderes locais e centrais na definição das políticas públicas e na implementação das mesmas, uma vez que elas mais do que ninguém conhecem os problemas que existam nas suas comunidades, tanto a nível familiar como social. A prosperidade em qualquer estado começa em cada família, em cada comunidade e em cada sociedade.

4.  O ambiente social, político e económico tem estado a favorecer estas organizações a expandir?

Se hoje temos uma expansão destas organizações com certeza não é por causa do ambiente político e económico, porque este anda de mal a pior. Mas sim da força de vontade dos próprios jovens e da sua sede de mudança social. Já não podemos ver o sofrimento de uma família e cruzar os braços! Não se pode tolerar que famílias tenham tetos a ruir enquanto vimos estradas a serem alcatroadas de ponta a ponta, crianças com fome enquanto deputados ganham pilhas de dinheiro. Um dos grandes impactos silenciosos que a liderança jovem tem trazido é esta revolta de consciência. Cada vez mais temos jovens que incentivam o espírito de indignação e luta por uma sociedade mais justa para todos. Esta “onda” de problemas sociais que temos vivenciado sem qualquer resposta das autoridades poderão a qualquer momento ocasionar um “tsunami” de revolução por todos os cantos do país. Aí sim será conhecida a verdadeira força da liderança jovem.



English Version



Gerson Sérgio Pereira is 27 years old, married, has a daughter and lives in Kelém, Achada Santo António, Praia - Santiago Graduated in Biological Sciences by UniCV in 2016 - health area He worked as a sanitary and voluntary agent in the Health Department of Praia de June 2016 to December 2017. He is the President of the Kellem Development Association (AKD) since 2017 and a member of IPAV's Ubuntu Global Network of Leaders since September 2017. He is currently unemployed.
1.        What is your impression of youth-led activities on your island?
 In my opinion, Youth leadership has gained strength in recent years in Cape Verde, especially in Santiago, my island, with its actions that has been causing visible and significant impacts on our society. I think the current situation of our country (unemployment, misallocated governance, social problems, etc.) has aroused a greater sensitivity and need for change on the part of the youths who are the ones who lives and feel those difficulties more intensively. Those actions they are essentially community intervention activities for the promotion of peace, social cohesion, inclusion, support for decent living and housing, school incentives, social problems combat, training for employment, among others of an urgent nature, as assistance to families and individuals in extreme need (health and food). We can also highlight youth leadership at political, religious and artistic issues, sports, incentive to entrepreneurship, etc.

2.       What is working, what is not working and why? What is being done?
 I think that all these activities, particularly in the areas mentioned above, have worked well, however in a very "sweaty" way because these associations, movements and groups led by youth people have managed to give excellent answers, despite the few resources they have at their disposal. It takes incredible capacity to manage the limited supports (resources and raw materials) that can be achieved for so many problems that we see in our communities. So I believe that these are the strengths of this new wave of youth leadership, especially here in Praia City: a lot of work and determination, a sense of social responsibility, good management of the few resources, capacity to mobilize support and partners, and quick interventions that many authorities are not aware or able to respond immediately. As for the weak points, let's say that they are mainly short-term and dependent on third parties. It is not possible to implement a mega project with a lasting, permanent or self sustaining social impact without enough resources. Often only labor and willpower are not enough. And our government have not been much "companion" of these organizations that are often entrusted by the people more than the government itself. But I believe that in general, these organizations have done very well despite the difficulties, because nothing is really impossible when the desire for change is greater than the stones that we find on the way.

3.       What is the biggest challenge for the youth participation in development? What are your prospects?
 It takes a lot of innovation, effort and dedication to be able to achieve or create the means to implement projects that really have long-lasting and far-reaching impacts on society. I think there is a bit of inaction or inability of these NGOs to be able to make the state comply with what people expect of them. After all, health, housing, education and food are the basic rights of every person. Often the role that these organizations play, and very well, is responsibility of the own government itself that neglects it. But they still have not got the value, confidence, and support they need to do their jobs. I sincerely hope that one day we will be able to see the associations, especially those of community intervention, “holding hands” to walk with local and central authorities in the definition of public policies and their implementation, since they more than anyone know the problems that exist in the communities, both at the family and social levels. Prosperity in any state begins in every family, in every community, and in every society.

4.       Has the social, political and economic environment been in favor of these organizations to expand?
 If today we are watching this expansion of these organizations certainly is not because of the actual political and economic environment, because it´s going from bad to worse. Quite the opposite, it is the willpower of youths themselves and their thirst for social change. We must no longer see the suffering of a family and cross our arms! We must not tolerate families having collapsing roofs as we saw roads being tared from end to end, children starving while deputies earn piles of money. One of the great silent impacts that youth leadership is bringing to our society is this revolt of conscience. Increasingly, we have young people who are encouraging the spirit of indignation and fight for a fairer society for all. This "wave" of social problems that we have been experiencing without any response from the authorities may cause, at any moment, a "tsunami" of revolution throughout the country. Then the real strength of youth leadership will be known.

By: Helen Barbosa,2018

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